Republic P-47D-40-RA Thunderbolt s/n 45-49485

Dados da Aeronave
Tipo: P-47D-40-RA
Nº de Construção (MSN): 6024
Contrato Nº: W535-AC-24579-34
Serial USAAF: 45-49485
 
Com a FAB
Recebido pela FAB: 1947
Serial FAB (pós-guerra): 4171
Descarregado da FAB: 02/05/1966
Destino Final: Preservado
 

Histórico

07/07/1947 - Alocado à FAB via American Republics Project 73002 como FAB 4171.
10/11/1947 - Distribuído ao 1º/9º GAv, BASC.
 ??/ ??/1949 - Acidentado na BACB ao ser abalroado pelo FAB 4134. Reparado.
11/12/1952 - Acidentado BASC. Reparado.
12/02/1953 - Distribuído ao 2º/1º GAvCa, BASC.
22/06/1953 - Acidentou-se ao colidir em voo com biruta de tiro.
10/02/1954 - Recolhido ao PAMA-SP.
11/07/1957 - 1°/4° Grupo de Aviação, BAFZ.
14/11/1958 - Recolhido ao PAMA-SP.
28/01/1959 - Transferido para a classe 0-1Z e distribuído para a EOEIG, Curitiba, para instrução no solo.
02/05/1966 - Descarregado e colocado como monumento na EOEIG.
23/10/1969 - Colocado em pedestal em frente ao Museu do Expedicionário, em Curitiba.

Após pouco mais de três anos exposto como monumento em Bacacheri, por iniciativa do Ten. Eronides João da Cruz, veterano de guerra do 1º GAvCa, e do brigadeiro Délio Jardim de Matos, na época comandante da EOEIG, o FAB 4171 foi cedido ao Museu do Expedicionário e nele instalado em 23/10/1969. O Ten. Eronides foi, a partir de então e até a sua morte, em 06/01/2022, o grande guardião da aeronave, a qual se encontra preservada em excelentes condições e sempre bem cuidada pelo staff do museu. 

Quando recebida, a aeronave ostentava a mesma pintura em Alumilac com a qual encontrava-se em Bacacheri, porém com cores e marcas inacuradas como o código A1 pintado na carenagem do motor e o serial 42-26756 na cauda. Sob o código A1 lia-se o texto:
AVIÃO P-47 THUNDERBOLT
DO 1º GRUPO DE CAÇA DA FAB
QUE COMBATEU NOS CÉUS DA ITÁLIA
DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
PESO 7 TONELADAS
POTÊNCIA 2000 H.P. 

Foi posteriormente repintado nas cores e marcas do P-47D-25-RE s/n 42-26756 código A4, pilotado na Itália pelo então Ten. Alberto Martins Torres.  Por ocasião da reforma teve retirados os suportes para os foguetes HVAR (inexistentes nos Thunderbolts brasileiros utilizados na Itália) e recebeu duas bombas originais de 500 libras e réplicas em PVC dos lançadores triplos M10 de foguetes M8A2.

 
im mus musexp 001
Ten. Eronides João da Cruz
★ 03/07/1922 - Aracaju (SE)
 ✝ 06/01/2022  - Curitiba (PR)

As réplicas foram um trabalho feito pelo Ten. Eronides, que durante a guerra foi Cabo Armeiro na Seção de Armamentos do 1º GAvCa, e graças a esse trabalho o FAB 4147 é único P-47D preservado no Brasil mostrando o armamento completo usado na Itália e com bombas originais da época. Ainda segundo o Ten. Eronides, a bolacha foi pintada em tamanho menor que a original por motivo prático; como a repintura da bolacha não podia ser feita na aeronave e exigia a retirada dos painéis, ela foi reduzida para caber em um único painel, para facilitar a manutenção e evitar a retirada e recolocação desnecessária de placas.  Após atos de vandalismo no qual o canopy foi quebrado, algumas partes do avião foram retiradas e se encontram em exposição na parte interna do museu, como o assento do piloto e partes dos painéis de instrumentos.

Controvérsia: FAB 4171 ou FAB 4110?

Alguns livros afirmam que o P-47D em questão não é o FAB 4171, mas o FAB 4110, um P-47D-25-RE de serial USAAF nº 42-26762 veterano da Campanha da Itália onde teve como seu piloto titular o Cap. Fortunato Câmara de Oliveira e código de esquadrilha C1.

Os fatos

A EOEIG recebeu mais de um P-47 para uso em instrução no solo e existe foto mostrando dois deles no pátio, um com pintura cor alumínio e outro com cor escura, certamente o verde e cinza dos P-47 camuflados usados na Itália. Mas o FAB 4110 esteve em Curitiba? Sim, consta no histórico do FAB 4110 ter sido cedido à EOEIG em 31/10/1952 para instrução no solo, pouco mais de seis anos antes do FAB 4171 ter o mesmo destino. Há também fotos datadas de 1959 mostrando o FAB 4110 exposto em frente ao museu, já bastante desgastado, com asas e outras partes desconectadas, com o código C1 na cobertura do motor e com sua pintura original dos tempos da Itália. Ou seja, é fato inquestionável que o FAB 4110 esteve em Curitiba e chegou a ser exposto em frente ao museu em mostra certamente temporária, como demonstra cartão postal do início dos anos 60 já sem nenhuma aeronave exposta em frente ao museu.

Mas é ele que está exposto hoje em frente ao museu?

Análise

As inspeções externas da aeronave, do painel preservado dentro do museu e de fotos de época mostram:

  • A presença de flaps de mergulho, assim como o posicionamento do farol de pouso próximo à ponta da asa esquerda, características de um P-47D-30 ou D-40. Os D-25, como o FAB 4110, não possuíam os mencionados flaps e o farol de pouso ficava ao lado do porão de rodas.
  • A presença de furos sob as asas correspondentes aos pontos de fixação dos suportes dos foguetes HVAR, típicos da versão D-40 e ausentes na versão D-25 e mesmo na D-30. Fotos da aeronave já no museu mostram a presença de cabides para foguetes HVAR, o que a caracteriza como um P-47D-40.
  • Há duas fotos antigas do FAB 4171 em Bacacheri onde, na primeira, é possível ver o texto que ele tinha grafado na lateral da cobertura do motor. Esse mesmo exato texto aparece grafado no avião já exposto na praça.
  • Em uma dessas fotos, do avião inteiro e mostrando seu serial FAB, também é claramente visível um pequeno amassado na cobertura do motor. Um mesmo amassado, na mesma exata posição, é claramente visível na aeronave que hoje está exposta no museu. 
  • A comparação com o "Pilot's Flight Operating Instructions for Army Models P-47D-25, -26, -27, -28 & -30 Airplanes" deixa claro que o painel de instrumentos exposto dentro do museu tem as características de painel do P-47D-30/40, e não de painel do P-47D-25.
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Conclusão

Ainda que, especialmente no que se refere a aeronaves que foram usadas para instrução no solo, peças possam ter sido trocadas, tudo indica que foi o FAB 4171, e não o FAB 4110, que foi recebido e colocado em exposição permanente no acervo do museu. Além das fotos de época, as características da aeronave indicam tratar-se de um D-40 e não de um D-25. E por que o FAB 4171 foi cedido ao museu e não o FAB 4110? Difícial responder, mas uma hipótese é que levando-se em conta o estado já bastante desgastado do FAB 4110 nas fotos de 1959 e o espaço de 10 anos entre essas fotos e a cessão de um P-47 ao museu, não é absurdo especular que o FAB 4110 poderia já ter sido sucateado àquela altura, até porque todos os Thunderbolts usados como células de instrução no solo já haviam sido descarregados da FAB em 1967 e, uma vez descarregados, ou viravam monumentos (caso do FAB 4117 na EOEIG) ou eram sucateados.

De qualquer forma, vale reforçar que, veterano de guerra ou não, nada desmerece o fato do Museu do Expedicionário em Curitiba ter o privilégio e o diferencial de possuir em seu acervo um exemplar bastante completo e bem cuidado do hoje raro e lendário "Trator Voador".