Música:  Benedito Lacerda
Herivelto Martins
Letra:    Cap. Av. Roberto Pessoa Ramos
Asp. Av. Fernando Correa Rocha
Ten. Av. Luiz Felipe Perdigão
Ten. Av. Rui Moreira Lima.

No dia 07 de fevereiro de 1945, uma quarta-feira de cinzas, pilotos do 1º Grupo de Caça cumpriram a Missão 207, cujo alvo era o entroncamento ferroviário na Ponte de Piave, em Treviso, região de Veneza. A ponte foi atingida por dezesseis impactos diretos e destruída em cinco lugares. Após o bombadeio da ponte as esquadrilhas seguiram na costumeira busca por alvos de oportunidade, no que destruíram um veículo motorizado a sudeste de Pádua. A leste de Veneza destruíram mais três veículos motorizados, danificaram uma carroça e um barco a vapor de cerca de 30 metros. Ao atacarem posições de artilharia antiaérea alemã, das quais destruíram duas posições de artilharia pesada, sofreram reação imediata e de grande intensidade de várias outras posições de artilharia que se situavam nas proximidades.

De volta à base em Pisa, com todos em segurança, o grupo se reuniu no bar do Albergo Nettuno. alojamento dos pilotos do 1º GAvCa, onde estava sendo tocada a marcha carnavalesca "A Dança do Funiculi"", sucesso de Benedito Lacerda e Herivelto Martins, cujo refrão era semelhante à famosa música italiana "Funiculi Funicula". Querendo celebrar a missão bem sucedida, juntaram-se Rui Moreira Lima, Robeto Pessoa Ramos, Fernando Correa Rocha e Luiz Felipe Perdigão e começaram, então, a fazer sua própria versão da "Dança do Funiculi", usando como tema a missão cumprida naquele dia, na região de Veneza. Surgia assim a música que, anos depois, tornaria-se oficialmente o Hino da Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira, o "Carnaval em Veneza".

A Dança do Funiculi

Passei um Carnaval em Veneza
Com muitas saudades daqui
Tentei cantar a Tirolesa
A Jardineira
Mas não consegui

O povo de lá só cantava
A sua canção popular
E eu vendo que nada arranjava
Entrei no cordão e comecei a cantar assim

Iamo, iamo, iamo, iamo iamo
Iamo, iamo, iamo, iamo, iá
Funiculi, funiculá
Funiculi, funiculá
Atacaram a tarantela
E não quiseram mais parar

Funiculi, funiculá
Funiculi, funiculá
Atacaram a tarantela
E não quiseram mais parar

Carnaval em Veneza

Passei o carnaval em Veneza
Levando umas bombinhas daqui
Caprichei bem o meu mergulho
Foi do barulho
O alvo eu atingi! (BINGO!)

A turma de lá atirava
Atirava sem cessar
E o pobre Jambock pulava
Pulava e gritava sem desanimar, assim:

Flak! Flak! Este é de quarenta!
Flak! Flak! Tem ponto cinquenta!
Um Bug aqui um Bug lá
Um Bug aqui um Bug lá.
Senta a Pua minha gente
Que ainda temos que estreifar

Um Bug aqui um Bug lá
Um Bug aqui um Bug lá.
Senta a Pua minha gente
Que ainda temos que estreifar

Notas sobre a letra:

  • Bombinhas - Cada P-47 carregava, normalmente, duas bombas de 500 libras, uma sob cada asa.
  • Bingo - Expressão utilizada pra indicar que o alvo havia sido atingido.
  • A turma de lá - Os alemães
  • Flak - Artilharia antiaérea alemã. Abreviação de Flugzeugabwehrkanone (canhão antiaéreo)
  • Quarenta e Cinquenta - Referência ao calibre do armamento antiaéreo alemão.
  • Bug - Termo usado para denominar um avião não identificado. Se identificado como inimigo, passava a ser chamado de "bandit",
  • Estreifar - Metralhar alvos. Aportuguesamento do termo "strafing".