Vídeo: Canal João Henrique Barone Em 2007, com a presença de diversos veteranos do 1º GAvCa, em espetáculo com criação e direção geral de João Henrique Barone e com a participação de militares e civis, a 'Ópera do Danilo' foi encenada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. |
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Vídeo: Canal Jambock Com Br Apresentação da "Ópera do Danilo" no Cine "Senta a Púa", Base Aérea de Santa Cruz, durante a Reunião Anual da Caça (RAC) 2024. |
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Resumo
Às 13h30 de 04/02/1945 duas esquadrilhas do 1º Grupo de Aviação de Caça decolaram de Pisa para cumprir a Missão nº 199 do Grupo. O líder da primeira esquadrilha era o Capitão Joel Miranda no P-47D-25-RE, serial 42-26759, código de esquadrilha 'B1', que tinha como ala o Tenente Danilo Marques Moura no P-47D-27-RE nº s/n 42-26783 e código de esquadrilha '2' , aeronave cujo piloto titular era o Oficial de Operações do Grupo, Maj. Oswaldo Pamplona Pinto. Danilo havia sido chamado às pressas da garagem, onde era o oficial responsável pela Seção de Transportes, para subsitituir um piloto que ficara indisponível pouco antes da missão. Com isso, não participou do briefing onde foram lidos os detalhes da missão e as orientações sobre o local em caso de ser abatido. A missão tinha como objetivo primário o bombardeamento de uma ponte no entroncamento ferroviário de Nerversa, seguido do strafing (metralhamento) de alvos de oportunidade e Joel fazia nesse dia sua primeira missão depois de um período de afastamento do vôo por motivo de doença. Completavam a primeira esquadrilha como nº3 e nº 4, respectivamente, os Aspirantes Diomar Menezes e Frederico Gustavo dos Santos. A segunda esquadrilha era composta pelos Tenentes Luiz Felipe Perdigão, Paulo Costa, Alberto Martins Torres e o Aspirante Fernando Pereyron,
A ponte foi atingida com sucesso, com oito impactos diretos das dezesseis bombas lançadas. Cumprido o objetivo principal, Joel ordenou a busca por alvos de oportunidade sendo que o primeiro que surgiu foi uma composição ferroviária que chegava à estação de Castelfranco. Joel, com Danilo na sua ala, partiu para o ataque mas a sorte não os acompanhou. Ambos foram atingido pela antiaérea alemã a baixa altura e abatidos, no que foi a única vez onde dois Thunderbolts do 1º GAvCa foram perdidos na mesma missão. Joel conseguiu recuperar altitude e saltar em segurança, Danilo, por sua vez, não consegiu recuperar altitude mas ainda assim logrou saltar de páraquedas com altitude suficiente para salvar-se. Com a pouca altitude, entretanto, o tempo entre o salto e a chegada ao solo foi tão curto que seus colegas de esquadrilha não conseguiram ver o paraquedas abrir-se, deixando-os em duvida sobre Danilo haver sobrevivido ou não à queda. Sem que o tempo fosse também suficente para que o paraquedas pudesse exercer sua ação de frenagem de forma plena, Danilo chegou ao solo com velocidade maior que a que seria normal, machucando a boca e mordendo a língua no impacto. Ajudado pela neblina que pairava sobre o local, conseguiu escapar de ser capturado pelos alemães e iniciou-se alí uma aventura de 30 dias e algumas centenas de quilômetros percorridos a pé até a volta à base em Pisa, numa incrível história onde a inteligência e o bom-senso prevaleceram sobre o treinamento recebido.
A distância que Danilo Moura percorreu a pé ainda é motivo de discussão e varia conforme diferentes relatos. O tema ainda está sendo motivo de pesquisas - inclusive feitas por pesquisadores italianos que estão refazendo o caminho de Danilo Moura - para que a distãncia percorrida seja estabelecida corretamente. Com o que se tem em mãos até o momento, assume-se que a distância percorrida esteja entre os 350 e 400km.
Ao mesmo tempo que o Tenente Danilo Moura retornava ao convívio dos companheiros do 1º GAvCa, chegava a Pisa a Real Ópera de Roma. Inspirados pelo ambiente criado pelas apresentações desta, os pilotos do 1º GAvCa resolveram elaborar uma ópera em homenagem ao amigo que retornava, contando toda sua aventura. Luiz Felipe Perdigão foi o autor da mesma, recebendo colaborações de alguns de seus colegas. A música foi feita a partir da 'emenda' de trechos de diversas outras óperas.
A Ópera do Danilo, dividida em cinco atos, foi representada pela primeira vez, com sucesso total no Thundetbolt Theater, em Pisa, na despedida do Tenente Ismar Ferreira Costa que retornava ao Brasil por ter sido afastado do vôo por motivo de saúde. Tranformada em tradição do 1º GAvCa, hoje ela é parte integrante das comemorações do 'Dia da Aviação de Caça', o 22 de abril, quando é reencenada na Base Aérea de Santa Cruz, sempre de forma alegre e bem humorada numa confraternização que engloba várias gerações de caçadores.
A História
Sobre Como Um Piloto Perdeu Seu Avião e Continuou Andando
Extrato adaptado de artigo publicado na revista 'O Cruzeiro', edição de 6 de janeiro de 1968."Comecei a enquadrar a locomotiva no meu visor quando à minha volta o céu se encheu de um fantástico fogo de artifício. Eram as explosões das granadas da flak {antiaérea alemã) e os longos riscos das traçantes das armas leves. Em meio às explosões coloridas o P-47 do Capitão Joel Miranda, bem à minha frente, começou a soltar uma longa esteira de fumaça preta. No mesmo instante meu avião foi atingido em cheio, pareceu bater numa parede e estremeceu todo. Nos meus pés e nas minhas mãos os comandos ficaram moles. Eu não podia mais controlar o voo, a fumaça invadiu a cabina, o altímetro marcava 400 pés. Era preciso saltar. Largada a capota fiquei aturdido pela violência e o barulho do vento rugindo nos 500 km/h do mergulho, a resistência do ar era tanta que eu não podia sair do avião. Firmei o pé no painel para fazer força e puxei o meu Mae West para fora, para que a pressão do vento contra ele ajudasse a minha saída. O paraquedas abriu-se a tão baixa altitude que não me lembro de ter ficado suspenso no ar. Quando vi, já estava sentado na neve... Ainda tonto, constatei que não havia quebrado nem braço, nem perna. Sofria somente na boca. No choque eu mordera a língua, que já começava a latejar e parecia encher toda a minha boca"
Um grupo de italianos correu ao seu encontro. Queriam saber se era americano, se de caça ou bombardeio. Danilo, com muita dificuldade (o ferimento da língua quase que o impedia de falar), não respondeu às perguntas, dizendo apenas que era um aviador brasileiro. Os italianos disseram que devia fugir para não ser preso pelos alemães e esconderam o seu paraquedas num monte de lenha. Com eles Danilo correu até encontrar um riacho que não quis atravessar, porque a temperatura era de muitos graus abaixo de zero e ele não podia molhar-se sem correr o risco de ter mais tarde os pés congelados. Os italianos então fabricaram uma ponte com pedaços de pau e o ajudaram. As emoções do combate, aliadas ao cansaço desta corrida de mais de um quilômetro, haviam esgotado a resistência de Danilo. Uma espessa cerração levantou-se, diminuindo o risco de ser alcançado pelos alemães.
Achavam-se agora próximo de uma granja, local muito perto do local da queda do avião para ser usado como abrigo. Já nesta época quem dava asilo a um aviador inimigo era sumariamente fuzilado pelos alemães. O brasileiro preferiu ficar num vinhedo, por baixo da palha de milho que recobria os pés de uva para protegê-los da geada. Fez um tapete de palha para sentar-se na neve e os camponeses o recobriram por completo com mais palha. Ficou três dias escondido sem mudar de posição. Não sentia fome, somente uma sede intensa que acalmava mastigando neve. Os calmantes encontrados na bolsa de fuga permitiram que suportasse esta reclusão voluntária.
No terceiro dia um camponês apareceu com uma tigela de caldo quente e um pedaço de salaminho. O italiano, enquanto Danilo comia, quis saber se conhecia o piloto do outro avião (o Capitão Joel Miranda) que havia caído a poucos quilômetros. Como Danilo não respondesse o camponês disse que deveria fugir em direção ao norte. Danilo não sabia exatamente onde se achava. Um piloto que segue o líder da esquadrilha não presta multa atenção à navegação. Como ele não havia assistido ao briefing, não sabia qual a atitude oficial a tomar nesta eventualidade. Semanas antes ele havia acompanhado uma missão que abastecera por ar um grupo de resistência nos montes Apeninos. Se conseguisse chegar até lá seria salvo. Mas os Apeninos achavam-se ao sul...
De tarde, umas explosões o acordaram. O italiano, que de novo estava ao seu lado, explicou que os tedescos procuravam o seu corpo nos destroços do avião e explodiam as munições. Nessa noite o camponês levou Danilo Moura ao estábulo de uma granja, dentro do paiol da qual Danilo não conseguia descansar por temer uma visita dos alemães, o que fez com que antes da meia-noite voltasse ao seu esconderijo no vinhedo. No dia seguinte o mesmo camponês veio procurá-lo no campo para lhe anunciar que o ajudaria a fugir, levando-o até a estrada de Pádua. Como Danilo não podia transitar com a sua farda de piloto brasileiro eles trocaram de roupas, o que Danilo considerou o pior negócio que fez na vida, já que havia trocado um macacão forrado e um blusão de pele de carneiro por “uma roupa mixuruca e fina de paisano italiano e uma boina”. Suas botinas marrons americanas foram tingidas de preto. Dizendo-lhe que não tivesse medo, o italiano se prontificou a levá-lo no quadro de sua. Se um alemão perguntar quem Danilo era, diria que era seu primo. De fato, durante a curta viagem, encontraram diversos alemães que não suspeitaram de nada.
Chegaram às 10 horas da manhã a uma pequena cidade na beira de um rio canalizado. Deixaram a bicicleta encostada na porta de um bar onde entraram para beber um copo de vinho. Como Danilo tremia de frio, o italiano lhe deu o seu sobretudo, um pedacinho de toucinho e um palmo de salaminho. Quando saíram da tratoria, encontraram de novo um grupo de alemães e Danilo não pôde reprimir um movimento de medo. Aconselhando-o a acalmar-se, o italiano disse que vestido como Danilo estava, os tedescos não suspeitariam de nada. Danilo seguiu o rio durante três horas. Nunca andara tanto na vida. As botinas feriram seus pés. Pelas três da tarde, chegou à cidade de Pádua. Uma barreira fechava a estrada. Os italianos, quando chegavam a esta altura, paravam e pareciam conversar com a sentinela alemã antes de continuar o seu caminho. De longe Danilo não podia ver se apresentavam um documento. Com prudência saiu da estrada, para consultar o mapa impresso num lenço de sua bolsa de fuga. Não havia outro caminho prático para entrar em Pádua já que de um lado o canal não permitia contornar a cidade e do outro a volta seria muito comprida. O amigo italiano que lhe fornecera a roupa civil lhe recomendara que não atravessasse nenhuma cidade. Danilo, pouco habituado a caminhar, logo percebeu que seria aumentar demais a sua viagem. Era preciso poupar as suas forças se quisesse chegar até os Apeninos. Vestido com a roupinha rota e com a boina, nada o diferenciaria dos outros se conseguisse manter a calma e não demonstrar um nervosismo suspeito, enganando a sentinela alemã. Durante a sua permanência em Pisa havia aperfeiçoado o italiano que aprendera em sua infância com colonos no Rio Grande do Sul e a ferida na boca que dificultava a sua fala lhe ajudava a esconder o sotaque estrangeiro. O único ponto fraco da sua fantasia eram os sapatos que, embora pintados de preto, tinham a forma característica das botinas militares americanas.
Ocultando o seu medo, Danilo aproximou-se da barreira seguindo um grupo de camponeses. Junto com eles levantou o braço direito e gritou: "Heil Hitler!”. Passou despercebido. As ruas estavam cheias de alemães. Danilo, fingindo a maior calma, se esforçava para imitar o andar pesado de um homem acostumado a caminhar nas terras aradas. Ninguém se preocupou com ele. Os pátios e as praças da cidade estavam cheios de tanques camuflados por baixo de redes. As sirenes começaram a soar, anunciando a passagem de aviões aliados. O povo correu a esconder-se dentro das casas. Danilo, não sabendo aonde ir, escondeu-se atrás de uma igreja. Quando soou o fim do alerta atravessando toda a cidade, ele seguiu a estrada durante algumas horas. Intrigado pela posição do sol, verificou o seu rumo com a bússola e percebeu que andava na direção errada. Para chegar a Ferrara era preciso primeiro alcançar Verona. De novo em Pádua, Danilo perguntou a uma velhinha o caminho de Verona. A estrada era do outro lado do canal e a ponte guardada por uma sentinela. Danilo aproximou-se, gritou "Heil Hitler!” e passou ...
Já era escuro, mas antes de pensar em descansar, andou mais de duas horas. Seus pés feridos pelas botas e suas pernas doloridas não o sustentavam mais. Quando viu uma luz na Janela de uma casa parou para pedir asilo. O homem que o atendeu perguntou quem ele era. Danilo, mostrando-lhe a língua ferida que o dificultava falar, respondeu-lhe que vinha de Treviso, uma bomba destruíra sua casa e que ia para a casa de seus pais em Ferrara. Questionando Danilo sobre seus documentos e tendo resposta negativa, o italiano negou asilo a Danilo dado o risco que a família corria de ser fusilada caso fosse descoberto que abrigavam alguém sem identificação e que poderia ser um inimigo. Danilo voltou então para o frio e a escuridão da estrada. Esperou um pouco e sem fazer barulho penetrou no estábulo que se achava por baixo da casa. Deitou-se no feno e descansou, ao lado de uma vaca e de seu bezerro. Quando achou que todos dormiam dentro da casa, como todo bom gaúcho que conhece gado, falando devagar para apaziguar a vaca fez esguichar o leite diretamente na sua boca.
Quando clareou o dia Danilo continuou sua rota, atormentado pela tremenda dor de barriga causada pelo excesso de leite. Andou e andou porque não queria cair nas mãos do inimigo, titubeando com os pés feridos e as pernas endurecidas pelo cansaço. À noite, dormia embaixo dos montes de feno que encontrava ao longo da estrada. A tensão nervosa que o fazia caminhar para a frente não o deixava sentir fome. Era somente torturado por uma sede inextinguível que acalmava mastigando neve. Na terceira noite chegou a Treviso, atravessou a ponte e exausto, bateu à porta de uma casa para pedir uma comida quente. 0 homem que abriu a porta se mostrou hostil, percebendo pela forma de falar que Danilo deveria ser estrangeiro. Danilo mostrou o ferimento de sua língua, mas o italiano não se convenceu e começou a gritar. Danilo sentiu-se banhado de suor. Ia ser obrigado a matar este homem e já procurava empunhar sua pistola, quando, talvez para telefonar o homem sumiu dentro da casa. Danilo não perdeu um instante e fugiu correndo. Sua sofrida caminhada continuou. Uma noite, resolveu bater à porta do que parecia ser uma chácara. Pediram seus documentos. Não somente não quiseram deixá-lo entrar como largaram um cachorro no seu encalço. De dia, percebeu que na escuridão batera à porta de uma fábrica cercada de tela de arame.
As vezes a estrada era invadida por comboios militares alemães, com tanques e canhões camuflados e marcados com o sinal da Cruz Vermelha Internacional. Ele continuava sem fome, depois de dez dias de caminhada. Tinha ainda um pouco do salaminho e do toucinho que recebera no começo da viagem. Um homem caminhando à noite pode despertar suspeitas, por isso decidira viajar de dia. O que mais o atormentava era o frio, já que nas noites passadas ao relento, nos campos eram recobertos de neve, o feno não conseguia esquentar o seu corpo cansado. Um fim de tarde Danilo avistou um galpão comprido num campo próximo à estrada. Se fosse um estábulo seria um ótimo esconderijo, aquecido pelos corpos das vacas. Danilo aproximou-se com cuidado. A porta estava apenas encostada. Empurrou-a. Viu um grupo de soldados alemães sentados em montes de palha, jogando cartas. Era um acampamento da cavalaria alemã. Lentamente Danilo fechou a porta sem que ninguém percebesse sua presença e nesta noite ele dormiu à beira da estrada.
Oito dias mais tarde, sem a bússola que perdera no feno de uma pousada, o brasileiro parou numa chácara para pedir informações. Por sorte o camponês o recebeu bem e o deixou dormir na palha do estábulo. No dia seguinte, depois de uma refeição de polenta com leite, Danilo foi informado de que a cidade de Ferrara se achava apenas a dez quilômetros, do outro lado do Rio Pó, e que não existia mais ponte. O italiano o alertou que ele não conseguiria passar, já que a região era controlada pelos alemães e estava cheia de casamatas e fortificações. Chegado ao Rio Pó, Danilo viu que não era exagero o que dissera o italiano. Todo o barranco estava cavado de trincheiras. Havia também casamatas de cimento armado e inúmeros soldados alemães preparando a defesa do rio. Em cada encontro que fazia com a gente da terra, Danilo observava seus gestos e entonação de voz para melhor encenar o papel que salvaria sua liberdade e talvez sua vida. Andava entre os grupos de alemães, embora com o coração apertado pela angústia, com tanta naturalidade que ninguém suspeitava que não fosse um camponês simplório atravessando os mais secretos pontos estratégicos do inimigo.
Quando cruzava um pelotão na estrada, levantava o braço direito e lançava um sonoro "Heil Hitler!". Ia em direção ao Oeste, esperando encontrar um meio de atravessar o rio nem que fosse à moda gaúcha, montado a cavalo. Chegou a lugarejo frente a Ferrara, do outro lado do rio, entrou num bar e pediu um copo de vinho tinto e um pedaço de queijo. Sentado confortavelmente na tratoria frente à sua garrafa de vinho, Danilo Moura não podia deixar de apreciar o tragicômico de sua situação de fugitivo observando a animação alemã através da vidraça. Uma olhada no espelho mostrou-lhe pela primeira vez a sua imagem nas roupas escuras emprestadas, que quase não reconheceu. A barba que não cortara por quinze dias lhe dava a aparência de um andarilho de beira de estrada. Havia um barbeiro em frente e Danilo, animado não pelo vinho mas também por suas experiências anteriores, sentiu que não havia multo perigo em ele em entrar na barbearia para fazer a barba. Quando abriu a porta viu o quepe de um oficial alemão pendurado no cabide. Não podia mais recuar, então sentou-se embaixo de onde o quepe estava pendurado. Seu dono, o oficial sentado na cadeira do barbeiro, lhe virava as costas, mas quando os seus olhares se cruzaram no espelho, Danilo não deixou de cumprimentá-lo com um vibrante "Heil Hitler!". Enquanto cortava a sua barba, o barbeiro tentou puxar conversa. Danilo mostrou-lhe a sua língua roxa e disse que se chamava Bochetti (na verdade o nome de um Aspirante do 1º Grupo de Caça) e que morava em Ferrara. O italiano acreditou, cobrou 6 liras e o deixou sair. Já fora da cidade, Danilo sentou-se sobre uma tora de plátano à beira do Rio Pó para pensar melhor no meio de atravessar o rio. Sem que percebesse, um italiano aproximou-se dele e o cumprimentou: "Buon giorno". Quis saber quem era ele e de onde vinha. Danilo repetiu o que sempre dizia nestes casos. Mostrou a língua ferida e disse que se chamava Bochetti, que sua casa em Pádua havia sido destruída num bombardeio e que tentava chegar até a casa de seus pais em Ferrara. Olhando para as botas de Danilo e dizendo não conhecer ninguém em Ferrara com o sobrenome Bochetti, o italiano deduziu que Danilo era americano. Dizendo a este que não tivesse medo e que já havia passado dois americanos para o outro lado do rio, prontificou-se a passar Danilo também.
Na casa do velho italiano Danilo ficou descansando, escondido num galpão, comendo e dormindo. Relaxada a tensão nervosa, reparou como os seus pés estavam feridos e suas pernas doendo. Seu benfeitor a cada dia o avisava das negociações com o suboficial alemão encarregado da balsa que atravessava o rio todas as manhãs. Este alemão gostava muito de vinho e o amigo de Danilo não deixava de lhe trazer garrafões que trocava por batatas e salaminho. Passaram o rio na manhã do quinto dia, bem na proa, para serem os primeiros a pular em terra. O italiano levou-o até Modena e ao se separarem deixou com Danilo a bicicleta dizendo que a cobraria dos aliados. Danilo Moura seguia de bicicleta o barranco do rio canalizado Panara. Numa curva ele quase atropelou uma sentinela alemã. Havia penetrado, sem o saber, num campo de treinamento. Por cima de sua cabeça esticavam-se redes enfeitadas de folhagem e por baixo pelotões de recrutas treinavam. "Achtung!" - gritou a sentinela. Danilo hesitou, mas agora não podia fugir. Preferiu passar por trás do pelotão. Talvez o oficial não suspeitasse de nada. Se fosse observado pelos olhos de todos os soldados, era possível que um deles olhasse para os seus sapatos ou percebesse uma falha na sua encenação. Danilo esforçou-se para andar devagar e deixaram que passasse. À sentinela que do outro lado o xingou em alemão ele teve a coragem de pedir um cigarro, mas não foi atendido. Ao longo do rio, gravava na sua mente os lugares onde as tropas treinavam e onde os canhões estavam guardados, para poder prestar informações mais tarde. Chegou a Modena, cheia de movimento de tropas que deixava adivinhar a proximidade da linha de combate e circulou no meio delas sem ser molestado. Na estrada para Bolonha, começou a sentir o cansaço. A sua bicicleta era velha e só andava à custa de muito esforço. Numa subida, cansado, ele alcançou uma carroça e, segurando-se, deixou-se rebocar. No banco traseiro da carroça ia um cabo alemão. No braço esquerdo de Danilo, com o qual ele se segurava na carroça, levantou-se a manga do paletó, deixando à mostra o relógio com pulseira de ouro que Danilo conservava. Uma joia tão valiosa no braço de um camponês andrajoso podia denunciar a sua condição de fugitivo. Antes que o soldado a visse, Danilo deu a volta e agarrou a carroça com a mão direita. A noite entrou numa tratoria e pediu um litro de vinho. Ao se informar do caminho para Piombino, o dono do bar lhe indicou um homem que para lá ia e poderia dar-lhe uma carona. Danilo aceitou a oferta e subiu, levando sua bicicleta no carroção puxado por dois cavalos.
Fizeram mais de seis quilômetros numa estrada sem nenhum movimento, até chegar à barreira de uma cidade. Felizmente, a sentinela alemã só pediu os documentos do condutor. A viatura parou de novo em frente ao portão que fechava um bosque cercado de telas de arame. Danilo teve tempo de perceber que era um depósito de bombas, pulando e fugindo pedalando com todas as suas forças. A cidade de Piombino estava quase que completamente demolida pelas bombas e os obuses aliados. Havia soldados alemães por todo lado. A noite ia cair e Danilo não sabia ainda onde dormiria nesta cidade arrasada. Uma mulher debruçada numa janela chamou sua atenção. Ele aproximou-se e disse-lhe que estava com sede e que precisava descansar. A mulher acenou para que subisse até o apartamento no terceiro andar. Ali Danilo explicou que vinha de Bolonha e que precisava ir até Pisa, ver seus pais. A mulher logo percebeu que Danilo não era italiano e confessou ser agente de informação dos aliados. A dura prova do Tenente Danilo Moura estava chegando a seu fim. Depois de comer uma sopa ele pôde finalmente descansar numa verdadeira cama. No dia seguinte os dois foram, depois de uma viagem de oito horas de bicicleta, até uma casa no meio das montanhas. Acompanhado por dois partisanos, Danilo subiu os últimos contrafortes dos Apeninos. No caminho encontraram um desertor alemão, que os italianos que lhe serviam de guias mataram friamente apesar dos seus pedidos de perdão. Pouco depois chegaram ao acampamento da resistência, objetivo final da tão arriscada viagem. Era o maior agrupamento deste gênero na Itália. Havia gente de todas as procedências e Danilo ficou amigo de um aviador sul-africano abatido. Dias depois, junto com 21 homens, passaram as linhas de combate, de noite, rastejando por entre os ninhos de metralhadoras.
Em Florença, durante cinco horas, prestou declarações aos serviços de informações americanos, relatou a sua viagem e marcou no mapa os depósitos de armas e os campos de treinamento do inimigo, que foram mais tarde destruídos pela aviação aliada. No dia 4 de março, exatamente um mês depois de ter sido abatido, para alegria e regozijo de seu irmão e Comandante do 1º GAvCa, Tenente Coronel Nero Moura, Danilo Moura telefonou para o Primeiro Grupo de Caça, em Pisa. Nestes trinta dias ele havia percorrido cerca de 350 km.
Ficha Técnica
Autor | Ten. Luiz Felipe Perdigão Medeiros da Fonseca |
Co-autores | Ten. José Rebelo Meira de Vasconcelos |
Asp. Roberto Tormin Costa | |
Ten. Marcos Eduardo Coelho de Magalhães | |
Asp. Fernando Correa Rocha | |
Cap. Roberto Pessoa Ramos | |
Ten. Rui Moreira Lima | |
Adaptação das músicas | Ten. Rui Moreira Lima e Asp. Fernando Correa Rocha |
Personagens | |
Garçonete | Ten. Pedro de Lima Mendes |
Capitão | Asp. Fernando Correa Rocha |
Zé Maria | Ten. Marcos Eduardo Coelho de Magalhães |
Danilo | Ten. Rui Moreira Lima |
Pascoalini | Asp. Fernando Correa Rocha |
Alemão | Ten. Luiz Felipe Perdigão Medeiros da Fonseca |
1º Italiano | Ten. Newton Neiva de Figueiredo |
2º Italiano | Ten. José Rebelo Meira de Vasconcelos |
Italiano Partizan | Ten. Fernando Correa Rocha |
Outros Partizans | Personagens do Coro |
Aliados | Personagens do Coro |
Oficial de Inteligência | Ten. Luiz Felipe Perdigão Medeiros da Fonseca |
Coro | Cap. Lafayette Cantarino Rodrigues de Souza |
Cap. Roberto Pessoa Ramos | |
Ten. José Rebelo Meira de Vasconcelos | |
Cap. Theobaldo Antonio Kopp | |
Cap. Newton Lagares da Silva | |
Ten. Cauby de Paiva Magalhães |
1º Ato
Na sala de refeições do Clube Senta a Púa os quatro pilotos, Joel, Danilo, Perdigão e Meira, aguardam a garçonete para lhes servir o café da manhã. Esta traz o café com leite, acompanhado de um copo se suco de frutas, presunto e ovo mexido, cujo conjunto era chamado como "pitanza". Comida a pitanza, Joel olha o relógio e avisa aos pilotos que está na hora de tomar a camionete dirigida pelo Sgt. Zé Maria, que os transportará à Sala de Operações do 1º GAvCa na Base Aérea de San Giusto. Zé Maria se apresenta como bom motorista e que dirige suavemente, sendo prontamente contestado pelos pilotos.
Quando a caminhonete chega à porta da Sala de Operações os pilotos se dão por felizes por chegarem vivos e manifestam sua alegria. Em Operações, os pilotos recebem o briefing da missão e, em altas vozes, citam o magazine que será acoplado às oito metralhadoras do P-47, recebem a bolsa de fuga, o mapa, a pergunta de sempre: 'Quem leva a K-25?'. Briefing concluído, Joel diz que está tudo combinado quanto à rota, o alvo, tática do ataque, mapa do flak inimigo e agora é 'Sentar a Púa" nos Tedescos, enquanto Zé Maria lhes deseja boa viagem.
Música: 'Terezinha de Jesus', cantiga de roda brasileira. | |
Garçonete: | Volete ancora pitanza? Café ancora volete? |
Coro: | Gratia tanta, oh garçonete, Já enchi bem questa panza. |
Capitão: | Minha gente vamo'embora |
Coro: | Num minuto andiamo via |
Capitão: | Já está na nossa hora, Nos espera o Zé Maria |
Música: 'La Donna é Mobile', ária da ópera 'Rigoletto', de Giuseppe Verdi. | |
Zé Maria: | Sou o Zé Maria Bom motorista Farei pra pista Viagem macia |
Coro: | Oh! Zé Maria Que maldição Quanta agonia E trambolhão |
Zé Maria: | Não estou sorrindo Para ninguém Quem vai se abrindo |
Coro: | É …porta de trem É …porta de trem |
Música: 'Barqueiros do Volga', canção folclórica russa. | |
Coro: | Enfim chegamos |
Zé Maria: | Enfim chegais |
Coro: | Vamos, vamos Para não nos machucarmos mais. Chega, chega, isto é demais |
Capitão e Coro: (falando) |
Olha a bolsa da fuga! Checa a carta! Apanha o magazine! Quem leva a K-25? |
Música: abertura da ópera 'O Guarany', de Carlos Gomes. | |
Capitão: | Está tudo combinado Nosso briefing terminado Já sabem pra onde vamos Como é que mergulhamos |
Coro: | Agora 'Senta a Púa' Capricha a decolagem |
Zé Maria: | Desejo para todos, para todos Ótima viagem |
Fim do ato primeiro |
2º Ato
Este começa com os pilotos cantando em coro, avisando que há muito flak no alvo. De repente Danilo avisa que foi atingido e vai saltar de paraquedas. Já no solo, com a língua sangrando e cercado pelos partizans, perguntam-lhe se ele é inglês ou americano. 'Sou americano' é sua resposta. Os partizans afirmam que os aviadores empre lançam bombas sobre suas cidades matando gente, trazendo luto, mas que eles, os italianos, são boa gente, compreendem que a guerra é a culpada e se comprometem a ajudar o 'piloto americano paraquedista'.
Danilo se enche de coragem e pede uma roupa civil, no que é atendido. Em seguida pergunta onde está, mostrando-lhes o mapa pintado no lenço da bolsa de fuga. No meio dos partizans há um que é professor de geografia, Prof. Pasqualini, que indica no mapa o local em que se encontram naquele instante. Os partizans perguntam ao Danilo se ele quer ficar com eles nos alpes ou se deseja atravessar os Apeninos e tentar regressar à banse. Com incisiva resposta, Danilo lhes diz que quer regressar.
Música: 'Carnaval em Veneza', de Benedito Lacerda e Herivelto Martins | |
Uma voz: | Lá vai o Jambock voando Pulando e gritando Sem desanimar…assim: |
Coro: | Flak, Flak este é de quarenta… Flak, Flak, tem ponto cinqüenta… Um avião foi acertado! Um avião foi acertado! |
Danilo: | É o Danilo, minha gente, e eu já Vou me despejar! É o Danilo, minha gente, e eu já Vou me despejar! |
Música: 'Bela Figlia Dell'Amore', quarteto vocal da ópera 'Rigoletto', de Giuseppe Verdi. | |
Coro: | Siete inglese ou americane? (bis) |
Danilo: | Americane, americane (bis) |
Música: 'Toreador', ária da ópera 'Carmem', de Bizet. | |
Coro: | Aviatore que fa bombardeamento, Matando gente, trazendo luto… Adesso si há paracaduto… Mal'italiani, |
Música: 'Raspsódia Húngara nº 2', de Franz Liszt. | |
Coro: | Cê bom sentimento E noi vogliamo salva-lo questo momento! Cê bom sentimento E noi vogliamo salva-lo questo momento! |
Música: 'Symphony', de Jo Stafford. | |
Danilo: | Per piacere voglio una vestimenta Qui io possa usare senza temere Per piacere dove sono io E adove andare Voglio sapêre |
Música: 'O Barbeiro de Servilha', de Gioachino Rossini. | |
Coro: | Piano, piano, piano, piano Presto andiamo via de quá Prenda questa vestimenta Vista e veja se lhe assenta Piano, piano, piano, piano Tropo bela vestimenta Il signore Pascoalino Lhe dirá um bom camino Piano, piano, piano, piano Pascoalino veni qui |
Pascoalino: | Cosa? |
Música: 'Questa o Quella', ária da ópera 'Rigoletto', de Giuseppe Verdi. | |
Pascolaino: | Al primo conte adove andare mio signore Pra il monte ou il fiume Que direzione volete andare Presto, presto io non pó aspectare |
Coro: | Presto, presto lui non pó aspectare Para il monte para il fiume Para il norte ou para leste |
Pascolaino: | Que direzione ancora volete ? |
Danilo: | Io andare é para nordoleste |
Coro: | Lui andare é para nordoleste! |
Fim do ato segundo |
3º Ato
Iniciada a marcha de regresso, a ópera retrata uma das cenas em que Danilo pede cigarros a um oficial alemão. Este, em vez de lhe atender, indica uma jovem italiana que está carregando um carro de mão cheio e ordena-lhe que a ajude. Danilo se nega a ajudar a jovem dizendo ao oficial que ela não aceita a ajuda e, para ela, diz que está muito doente. O alemão fica zangado e manda Danilo embora dando-lhe um pontapé no traseiro.
Depois de andar o dia inteiro, Danilo pára em uma casa e pede ao dono água ou vinho. Atendido com vinho, pede para dormir. Como ele não tem carteira de identidade é mandado embora. Mais algumas tentativas e um italiano diz a Danilo que se ele procurar mais adiante e não encontrar pousada, pode ficar ali,. Danilo agradece e então, ao invés de procurar outro abrigo, mata o tempo por perto e retorna à casa do italiano dizendo que não encontrou outro lugar.
Música: 'Tip-Tip-Tim' | |
Danilo: | Cigarreta? Teniente |
Alemão: | Non c'e e non te dou niente, Fare una acion piu fina: Ajude quela bambina |
Música: 'Chi-Ri-Bi-Ri-Bi' | |
Alemão: | Ajude a bambina! |
Danilo: | Ela non quere |
Alemão: | A poverina |
Danilo: | Ela non quere |
Alemão: | Grande vagabundo! Sai de qui… Ragazzo imundo! Mal'italiani son sempre cosi. |
Música: 'Mme Butterfly' | |
Danilo: (na 1ª casa) |
Estarei grato Per um bicherino De aqua ou vino… Sono sfolato Per la guerra, Nel bombardeamento De una l'altra terra |
1º Italiano: | Mio poverino Prende questo vino |
Danilo: | Voleva ancora Dormire qui… Caritá! A carta perdí, De mia identitá |
Música: 'Santa Luzia' | |
1º Italiano: | Me senza cartera Cosa puó fare Só bona sera Andare, andare |
Danilo: | Per piachere Senhor vedere |
1º Italiano: | Senza portare Una cartera Só bona sera. |
Música: 'Mme Butterfly' | |
Danilo: (na 2ª casa) |
Estarei grato Per um bicherino De aqua ou vino Sono sfolato Per la guerra, Nel bombardeamento de una l'altra terra |
2º Italiano: | Mio poverino Prende questo vino |
Danilo: | Voleva ancora Dormire qui… Caritá! A carta perdí, De mia identitá |
Música: 'Danúbio Azul' | |
2º Italiano: | Ma senza cartêra |
Danilo: | Si, si signore |
2º Italiano: | Non é brincadêra |
Danilo: | Si, si signore |
2º Italiano: | Faremos cossi |
Danilo: | Si, si signore |
2º Italiano: | Sairás de qui |
Danilo: | Si, si signore |
2º Italiano: | E si una l'altra Non encontrar Poderás ritornar |
Danilo: | Gracie tanta signore Gracie tanta, Rivederte, rivederte, Bona sera signore, Bona sera, Bona sera tanti auguri e prego |
Música: 'Ride Pagliacci' | |
Danilo: | Procurar outra Posso não encontrar Melhor matar o tempo e depois ritornar Ah! Ah! Ah! Ah! Mio signore Não encontrei lugare |
2º Italiano: | Bene faça o favore De qui se acomodare |
Danilo: | Ah! Ah! Ah! Ah! |
Fim do ato terceiro |
4º Ato
Danilo se encontra na margem norte do Rio Pó, nas imediações de Ferrara. Nao vendo possibilidade de cruzar o rio, desesperado vai a um bar e toma alguns copos de vinho. Entusiasmado pelo efeito do álcool, dirigi-se a um italiano que está cortando lenha, revelando-lhe sua identidade - sempre se identificando como americano - pedindo seu auxílio para atravessar o Rio Pó.
Depois de algumas dúvidas esclarecidas por Danilo, o lenhador - que era partizan - resolve ajudá-lo. Espera que um alemão com quem trocava linguiça, ovos, leite, etc, por cigarros, chocolate e outros favores ficasse de guarda na barreira e pede o passe. No quinto dia, acompanha Danilo até o outro lado - margem sul do Rio Pó - e a pedido de Danilo dá-lhe sua bicicleta. Danilo sai pedalando e cantando, fazendo considerações sobre o risco que correu ao conseguir atravessar o Pó.
Música: 'Maringá' | |
Danilo: | Já andei, já andei Andei dias sem parar, E agora aqui fiquei Sem o Pó poder cruzar É demais, é demais Já tomei uma bebedeira; No momento sou capaz De fazer qualquer besteira. |
Música: 'Rancho Fundo' | |
Danilo: | Ó meu amigo, Sei que tu vais me ajudar, E é por isso que contigo Adesso voglio parlare So'uno aviatore Que se há paracaduto Necessito uno favore Adesso, questo minuto |
Partisan: (falando) |
Cosa vogle? |
Música: 'Pó Pó Pó' | |
Danilo: | Io voglio cruzar o Pó |
Coro: | Pó, pó, pó piriri, piriró |
Partisan: | Senza cartêra tu non passará. |
Danilo: | Pó, pó, pó, pó, pó Voi siete partisano |
Coro: | Será véro? Da véro será? |
Partisan: | Non é véro paisano |
Danilo: | Si, si, si, si, si Com il tedesco vá parlare |
Coro: | Ele irá, será que ele irá? |
Partisan: | Questo io non posso fare |
Danilo: | Pó, pó, pó, pó, pó |
Música: 'Casinha Pequenina' | |
Partisan: | Io non se perque te ajudo, Mica po imaginare! Per salvar-te fare tudo Com il tedesco adesso iré parlare |
Danilo: | Acho que eu fui feliz E que o golpe vai dar certo; Mas, com que agora fiz, Da prisão parece que andei bem perto. Se do Pó eu for além, Minha volta é quase certa, Só falta, para andar muito bem, Pedir esta bicicleta |
Música: 'Rose Marie' | |
Partisan: | Já te trovei passagem, E adesso voglie questa… Vá bene te daré l'altra vantagem: Portare via com la bicicleta. |
Cauby: | Olha lá ! ! ! |
Danilo: | Signore, gratia tanta… E toca a caminhar… A minha sorte hoje até me espanta: Agora o próprio Pó eu vou passar. |
Danilo: | Heil Hitler! (para o alemão controlador do passo) |
Fim do ato quarto |
5º Ato
Passada a barreira do Rio Pó, Danilo faz contato com os partizanos expressando sua gratidão. Danilo é recebido pelos aliados - americanos e ingleses - quando é interrompido pelo Oficial de Inteligência da 12ª Força Aérea, que passa a interrogá-lo. O Oficial pergunta-lhe inicialmente seu nome, posto e número de série, no que é atendido por Danilo. Em seguida, pede-lhe que faça um relatório detalhado sobre a maneira como escapou de ser preso pelos alemães e a polícia italiana., mas Danilo alega que não pode acrescentar mais nada por instruções expressas recebidas do 1º Ten. Miranda Correa, Oficial de Inteligência do 1º GAvCa.
Música: 'Lili Marlene' | |
Partizan: | Cé americano Em questo locale; Andiamo de lontano, Má qui é il finale |
Música: 'Aida' | |
Partizans: | Soto l'Apenini Siamo arrivato del fiume acá |
Danilo: | Quá…quá…quá…quá… |
Partizans: | Non ché piu tedesqui É una estansa propia aliata ll signor teniente Guarda má que bravo regazzo Viva uno brasiliano aviatore Paracaduto! |
Música: 'Lili Marlene' | |
Danilo: | Até que, per fim, Siamo arrivato… Olhem para mim: Io sono molto grato Só falta adesso, per aqui, Ver se consigo, ver se consigo Trovare alguno amigo (bis - Coro dos Partizans) |
Música: 'Cavalaria Rusticana' | |
Aliados: | Bem-vindo, desconhecido! Vens do outro lado: Aviador foragido Nosso aliado Amigo é um prazer Ter-te novamente! Que alegria por te ver Aqui presente |
Música: 'La Traviata' | |
Oficial de Inteligência: | Perdão! Com licença durante um bocado Desculpem se tenho que os interromper Sinto tornar-me tão pouco delicado, Mas há um serviço para se fazer. Eu sou o oficial de nossa inteligência E vim até aqui para encontrá-lo. Desejo informes de certa urgência, E então vou passar a interrogá-lo Seu nome? |
Danilo: | É Danilo de Moura |
Oficial de Inteligência: | Seu posto? |
Danilo: | É 2º Tenente |
Oficial de Inteligência: | B.O.? |
Danilo: | É três quarenta e cinco. |
Oficial de inteligência: | E agora me conte toda a sua história. |
Danilo: | Desculpe, não conto e nem posso contar! |
Oficial de Inteligência: | Por que? Meu amigo perdeste a memória? |
Danilo: | Não é isso, o Miranda disse para eu não falar. |