Vídeo: Canal João Henrique Barone
Em 2007, com a presença de diversos veteranos do 1º GAvCa, em espetáculo com criação e direção geral de João Henrique Barone e com a participação de militares e civis, a 'Ópera do Danilo' foi encenada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
 

Vídeo: Canal Jambock Com Br
Apresentação da "Ópera do Danilo" no Cine "Senta a Púa", Base Aérea de Santa Cruz, durante a Reunião Anual da Caça (RAC) 2024.

 

Resumo

Às 13h30 de 04/02/1945 duas esquadrilhas do 1º Grupo de Aviação de Caça decolaram de Pisa para cumprir a Missão nº 199 do Grupo. O líder da primeira esquadrilha era o Capitão Joel Miranda no P-47D-25-RE, serial 42-26759, código de esquadrilha 'B1', que tinha como ala o Tenente Danilo Marques Moura no P-47D-27-RE nº s/n 42-26783 e código de esquadrilha '2' , aeronave cujo piloto titular era o Oficial de Operações do Grupo, Maj. Oswaldo Pamplona Pinto. Danilo havia sido chamado às pressas da garagem, onde era o oficial responsável pela Seção de Transportes, para subsitituir um piloto que ficara indisponível pouco antes da missão. Com isso, não participou do briefing onde foram lidos os detalhes da missão e as orientações sobre o local em caso de ser abatido. A missão tinha como objetivo primário o bombardeamento de uma ponte no entroncamento ferroviário de Nerversa, seguido do strafing (metralhamento) de alvos de oportunidade e Joel fazia nesse dia sua primeira missão depois de um período de afastamento do vôo por motivo de doença. Completavam a primeira esquadrilha como nº3 e nº 4, respectivamente, os Aspirantes Diomar Menezes e Frederico Gustavo dos Santos. A segunda esquadrilha era composta pelos Tenentes Luiz Felipe Perdigão, Paulo Costa, Alberto Martins Torres e o Aspirante Fernando Pereyron,

A ponte foi atingida com sucesso, com oito impactos diretos das dezesseis bombas lançadas. Cumprido o objetivo principal, Joel ordenou a busca por alvos de oportunidade sendo que o primeiro que surgiu foi uma composição ferroviária que chegava à estação de Castelfranco. Joel, com Danilo na sua ala, partiu para o ataque mas a sorte não os acompanhou. Ambos foram atingido pela antiaérea alemã a baixa altura e abatidos, no que foi a única vez onde dois Thunderbolts do 1º GAvCa foram perdidos na mesma missão. Joel conseguiu recuperar altitude e saltar em segurança, Danilo, por sua vez, não consegiu recuperar altitude mas ainda assim logrou saltar de páraquedas com altitude suficiente para salvar-se. Com a pouca altitude, entretanto, o tempo entre o salto e a chegada ao solo foi tão curto que seus colegas de esquadrilha não conseguiram ver o paraquedas abrir-se, deixando-os em duvida sobre Danilo haver sobrevivido ou não à queda. Sem que o tempo fosse também suficente para que o paraquedas pudesse exercer sua ação de frenagem de forma plena, Danilo chegou ao solo com velocidade maior que a que seria normal, machucando a boca e mordendo a língua no impacto. Ajudado pela neblina que pairava sobre o local, conseguiu escapar de ser capturado pelos alemães e iniciou-se alí uma aventura de 30 dias e algumas centenas de quilômetros percorridos a pé até a volta à base em Pisa, numa incrível história onde a inteligência e o bom-senso prevaleceram sobre o treinamento recebido.

A distância que Danilo Moura percorreu a pé ainda é motivo de discussão e varia conforme diferentes relatos. O tema ainda está sendo motivo de pesquisas - inclusive feitas por pesquisadores italianos que estão refazendo o caminho de Danilo Moura - para que a distãncia percorrida seja estabelecida corretamente. Com o que se tem em mãos até o momento, assume-se que a distância percorrida esteja entre os 350 e 400km.

Ao mesmo tempo que o Tenente Danilo Moura retornava ao convívio dos companheiros do 1º GAvCa, chegava a Pisa a Real Ópera de Roma. Inspirados pelo ambiente criado pelas apresentações desta, os pilotos do 1º GAvCa resolveram elaborar uma ópera em homenagem ao amigo que retornava, contando toda sua aventura. Luiz Felipe Perdigão foi o autor da mesma, recebendo colaborações de alguns de seus colegas. A música foi feita a partir da 'emenda' de trechos de diversas outras óperas. 

A Ópera do Danilo, dividida em cinco atos, foi representada pela primeira vez, com sucesso total no Thundetbolt Theater, em Pisa, na despedida do Tenente Ismar Ferreira Costa que retornava ao Brasil por ter sido afastado do vôo por motivo de saúde. Tranformada em tradição do 1º GAvCa, hoje ela é parte integrante das comemorações do 'Dia da Aviação de Caça', o 22 de abril, quando é reencenada na Base Aérea de Santa Cruz, sempre de forma alegre e bem humorada numa confraternização que engloba várias gerações de caçadores.