Música: Spartacco Rossi (1904-1993)
Letra: Guilherme de Almeida (1890 - 1969)

Antes de ler o poema em público, pela primeira vez, em março de 1944, Guilherme de Almeida declarou que não havia composto um hino guerreiro, mas uma simples mensagem de incitamento, destinado a levar "a terras estranhas um retrato lírico e sentimental de nossa terra".

Na primeira estrofe, o poeta insere o provérbio popular "um é pouco, dois é bom, três é demais", que Luiz Peixoto havia anteriormente incorporado em seu poema "Casa de Caboclo", o qual, com a música de Heckel Tavares, propagou-se largamente pelo país. Os dois últimos versos desta primeira parte reproduzem as palavras iniciais da mais célebre obra de Alencar.

O segundo e o terceiro versos da segunda estrofe são extraídos da "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias.

A terceira parte, que não foi musicada e que entra como declamatório, contém várias alusões literárias e musicais. O segundo verso alude à canção "Na Casa Branca da Serra", de autoria de J. C. Oliveira, popularizada na gravação de Cândido Botelho. O verso seguinte evoca o "Luar de Sertão", de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense. O quarto, o quinto e o sexto versos provém de "Maria", poema de Luiz Peixoto que Ari Barroso musicou e que Silvio Caldas foi o primeiro a fixar em disco. Moema é a personagem do "Caramuru", o poema épico de Frei José de Santa Rita Durão. No verso seguinte, encontra-se outra alusão à “Iracema” de Alencar.

Canção do Expedicionário, interpretada pela Banda Marcial dos Fuzileiros Navais (mp3, 1.44Mb)

Canção do Expedicionário, interpretada por Francisco Alves (mp3, 889Kb)

Canção do Expedicionário

Você sabe de onde eu venho?
Venho do morro, do Engenho,
das selvas, dos cafezais,
da boa terra do coco,
da choupana onde um é pouco,
dois é bom, três é demais.

Venho das praias sedosas,
das montanhas alterosas,
do pampa, do seringal,
das margens crespas dos rios,
dos verdes mares bravios,
da minha terra natal.

Por mais terras que eu percorra,
não permita Deus que eu morra,
sem que volte para lá;
sem que leve por divisa,
esse "V" que simboliza,
a vitória que virá!

Nossa vitória final,
que é a mira do meu fuzil,
a ração do meu bornal,
a água do meu cantil,
as asas do meu ideal,
a glória do meu Brasil.

Eu venho da minha terra,
da casa branca da serra,
e do luar do sertão;
venho da minha Maria;
cujo nome principia,
na palma da minha mão.

Braços mornos de Moema,
lábios de mel de Iracema,
estendidos para mim.
Ó minha terra querida,
da Senhora Aparecida,
e do Senhor do Bonfim.

Por mais terras que eu percorra,
não permita Deus que eu morra,
sem que volte para lá;
sem que leve por divisa,
esse "V" que simboliza,
a vitória que virá!

Nossa vitória final,
que é a mira do meu fuzil,
a ração do meu bornal,
a água do meu cantil,
as asas do meu ideal,
a glória do meu Brasil.

Você sabe de onde eu venho?
É de uma Pátria que eu tenho,
no bojo do meu violão;
que de viver em meu peito,
foi até tomando jeito
de um enorme coração.

Deixei lá atrás meu terreno,
meu limão, meu limoeiro,
meu pé de jacarandá,
minha casa pequenina,
lá no alto da colina,
onde canta o sabiá.

Por mais terras que eu percorra,
não permita Deus que eu morra,
sem que volte para lá;
sem que leve por divisa,
esse "V" que simboliza,
a vitória que virá!

Nossa vitória final,
que é a mira do meu fuzil,
a ração do meu bornal,
a água do meu cantil,
as asas do meu ideal,
a glória do meu Brasil.

Venho de além desse monte,
que ainda azula o horizonte,
onde o nosso amor nasceu;
do rancho que tinha ao lado,
um coqueiro que, coitado,
de saudade já morreu.

Venho do verde mais belo,
do mais dourado amarelo,
do azul mais cheio de luz,
cheio de estrelas prateadas,
que se ajoelham deslumbradas,
fazendo o sinal da Cruz !

Por mais terras que eu percorra,
não permita Deus que eu morra,
sem que volte para lá;
sem que leve por divisa,
esse "V" que simboliza,
a vitória que virá!

Nossa vitória final,
que é a mira do meu fuzil,
a ração do meu bornal,
a água do meu cantil,
as asas do meu ideal,
a glória do meu Brasil.