"Minha obra de comandante da Força Expedicionária Brasileira ficaria incompleta se eu não transladasse para o Brasil os despojos dos que tombaram na Campanha da Itália. Eu os levei para o sacrifício; cabia-me trazê-los de volta para receberem as honras e glórias de todos os brasileiros, em especial dos parentes, que mais de perto puderam sentir a justiça e humanidade do ato governamental, mandando retornar à Pátria os restos mortais de seus heróis."
Marechal João Baptista Mascarenhas de Moraes, em suas memórias
Histórico
Ao final da Segunda Guerra Mundial, os corpos dos brasileiros que tombaram em combate na Itália repousavam no cemitério de Pistóia, longe de sua pátria. Por iniciativa do Marechal Mascarenhas de Moraes, o Presidente Getúlio Vargas, em decreto de 10 de outubro de 1952, nomeou a Comissão de Repatriamento dos Mortos do Cemitério de Pistóia, comissão esta presidida pelo mesmo Marechal Mascarenhas, para que fossem trazidos de volta ao Brasil os restos mortais dos nossos combatentes, entre eles os restos mortais dos Tenentes Cordeiro, Dornelles, Oldegard, Rittmeister, Medeiros, Waldyr, Aurélio e Santos, os oito pilotos do 1° GAvCa falecidos na Itália. O nono piloto, Ten. Av. Gastaldoni, falecido em treinamento no Panamá, foi trasladado do Panamá para o jazigo de sua família, em Porto Alegre e posteriormente para a Cripta dos Aviadores, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
O Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial foi idealizado pelo Marechal João Baptista Mascarenhas de Moraes, comandante da Força Expedicionária Brasileira. Foram apresentados 36 projetos, dos quais 5 foram selecionados para a escolha final, a cargo de uma comissão de oito professores de arquitetura, engenharia, belas artes e outras áreas. Com estes colaboraram o Instituto de Arquitetura do Brasil, a Escola Nacional de Arquitetura, o Clube de Engenharia, o Departamento de Urbanismo e o Departamento técnico e de Produção do Exército. Foi declarada vencedora a proposta dos arquitetos Hélio Ribas Marinho e Marcos Konder Netto, cobrindo uma área de 6.850 m² doada pelo então Distrito Federal no aterro da Glória, no prolongamento da Av. Rio Branco, em ato assinado pelo então prefeito Alim Pedro.
O Monumento teve sua construção iniciada e 24 de junho de 1957 e concluída a 24 de junho de 1960. Em 20 de junho de 1960 foi nomeada a Comissão de Exumação e Acondicionamento dos Mortos do Cemitério de Pistóia, presidida pelo General Osvaldo de Araújo Mota, com a incumbência de proceder à exumação dos 466 corpos existentes no Cemitério Brasileiro de Pistóia e prepará-los para a trasladação em caixas de zinco individuais, colocadas em urnas de madeira. Os aviões da FAB decolaram da Itália em 11 de dezembro de 1960, chegando ao Rio de Janeiro na madrugada do dia 16 após escalas em Lisboa, Ilha do Sal e Recife. As urnas permaneceram algum tempo no Galeão, sendo depois expostas à visitação pública no Palácio Tiradentes.
Em 22 de dezembro de 1960, em solenidade presidida pelo Presidente da República, Sr. Juscelino Kubitschek de Oliveira, os restos mortais dos soldados foram colocados em seus respectivos jazigos no Mausoléu. Foram trazidos em cortejo do Palácio Tiradentes para a Rua 1º de Março, de onde seguiram em silencioso cortejo pela Av. Rio Branco até o Monumento. Uma das urnas de mortos não identificados passou a simbolizar o "Soldado Desconhecido", sendo entregue pelo Marechal Mascarenhas de Moraes, que a havia carregado em cortejo, ao Presidente Juscelino que, por sua vez, depositou-a na base do Pórtico Monumental, onde se encontra até hoje.
Composição do Monumento
1. Plataforma
O acesso à plataforma se dá através da Escadaria Monumental, com 30 metros de largura e um total de 26 degraus revestidos em Granito Preto da Tijuca. Tem formato de um grande L e é toda pavimentada com o mesmo granito. É composta pelos seguintes elementos:
Pórtico Monumental
Constituído de dois pilones com 31 metros de altura, é revestido com granito Juparanã, apicoado, tendo na parte superior uma placa de 220m² de superfície, toda ela em concreto aparente. O Pórtico simboliza dois braços levantados com as mãs abertas, implorando graças aos céus.
Sob ele fica o Túmulo do Soldado Desconhecido, colocado entre os pilones do Pórtico Monumental. É revestido de granito preto da Tijuca, lustrado, entre duas fontes de luz fluorescentes e tendo a inscrição:
O BRASIL
AO SEU SOLDADO DESCONHECIDO
Escultura Metálica
Sobre uma base especialmente criada, revestida em sua parte inferior de granito preto da Tijuca, lustrado, e na parte superior de granito Juparaná, apicoado, encontra-se a Escultura Metálica, de autoria de Júlio Catelli Filho, executada em perfis de ferro metalizado e pintado. De caráter abstrato, mas simbólico, suas linhas sintetizam, na expressão mais simples, as formas dos engenhos da guerra aérea. Os elementos triangulares, que se repetem e se harmonizam em contraponto espacial, geram uma unidade ótica em que formas geométricas puras e espaço se completam representando o símbolo da aviação: "Formas e Espaço". Tal simbolismo é reforçado pelo efeito psicológico causado no observador, o qual, em virtude de pontos de vista sempre baixos, vê o conjunto recortado contra o céu, que é o cenário obrigatório da ação aérea.
Grupo Escultórico
Sobre uma base revestida de granito Juparanã, apicoado, um grupo escultórico, de autoria de Alfredo Ceschiatti, com cinco metros de altura, executado em granito de Petrópolis, presta uma homenagem às três Forças Armadas, representadas por , da esquerda para a direita, um marinheiro, um soldado e um aviador.
Pirâmide
Numa pirâmide de três faces, revestida de granito Juparanã, lustrado, constam as inscrições relativas à obra: inauguração, comissões e equipe responsável pelo projeto.
2. Patamar
Paviemento que fica no nível da rua, é composto pelos seguintes elementos:
Museu
O museu tem a forma de um quadrado, fechado por painéis de vidro e pavimentado de mármore perlato, lustrado. No seu interior encontra-se em destaque o painel "Guerra e Paz", um afresco de autoria do pintor Anísio Araújo de Medeiros. Dada a circunstância deste painel estar localizado no interior de um ambiente onde serão expostas fotografias, troféus e armas da Campanha Militar, foi evitado o caráter documentário ou explicativo que o assunto poderia sugerir.

Ao contrário, por meio de um simbolismo de grupos e figuras, o artista procurou fixar, na composição, não só as atividades e atitudes do povo e dos expedicionários durante a Campanha, como também exaltar o valor do mesmo expedicionário como ex-combatente no trabalho que empreende, quando do retorno à vida pacífica.
Diversas armas, tanto utilizadas por Brasileiros quanto capturadas aos alemães, encontram-se em exposição, assim como diversas outras peças de vestuário, utilitários e condecorações encontram-se nas diversas vitrines no museu. Neste salão, em 17 de setembro de 1968, foi velado o corpo do Marechal Mascarenhas de Moraes.
Jardim Interior
Em forma retangular, gramado, tendo no seu centro o roteiro estilizado da Campanha da Itália, duas muretas de granito preto da Tijuca, polido, simbolizando os rios Sercchio e Reno, em cujas margens a FEB atuou durante mais tempo, e, ao lado, oito triângulos de granito Juparanã, polido, com os nomes dos principais combates travados no Teatro de Operações da Itália. Em granito preto da Tijuca, encontramos gravados os distintivos das três Forças Armadas: o "Senta a Pua" da Aeronáutica, o "Cobra Fumando" para o Exército e a "Âncora" para a Marinha.
Lago
Com 70 metros de comprimento e 12 metros de largura, é constituído por quatro espelhos d'água, escalonados em altura, de modo a permitir a iluminação direta e amenizar a temperatura do subsolo. A circulação de água, feita por meio de bombas, permite a formação de uma cortina de água à semelhança de uma cascata.
Mastros
Diariamente, em um dos mastros existentes na área em frente ao Monumento, é içada a Bandeira Brasileira. Nos dias em que são programadas visitas de comitivas estrangeiras ao Túmulo do Soldado Desconhecido, hasteia-se também a Bandeira da Nação da autoridade que presta a homenagem.
Painéis de Cerâmica
Os painéis de cerâmica em honra às Marinhas de Guerra e Mercante, obras do pintor Anísio Araújo de Medeiros, localizam-se do lado externo da entrada para o Mausoléu e foram executados em lajotas de cerâmica, esmaltada e vidrada.
Na concepção dos painéis foram evitados episódios bélicos ou fatos com eles relacionados a fim de dar um sentido mais amplo à homenagem. Os painéis são interpretados da seguinte forma, sempre a partir da esquerda:
a. Painel da Marinha de Guerra

Tem o seguinte significado, a partir da esquerda:
- Timoneiro: a segurança, a firmeza, a certeza do caminho, o conhecimento do objetivo;
- Grupo de Gaivotas: a alegria da volta com o dever cumprido;
- Fundo do Mar: o desconhecido, o espírito de aventura;
- Marinheiro e menino: a tradição do amor à carreira transmitida de pai para filho;
- Marinheiro fazendo um nó: a dedicação, o amor à perfeição e a garantia de segurança;
- Marinheiro do Mastro: a coragem, a calma e o sangue-frio no pior momento;
- Grupo de Navios de Guerra: o poderio naval do país;
- Grupo de Marinheiros: a amizade e a camaradagem dos companheiros de farda;
- Corda e Âncora: a ligação do marinheiro à terra firme, à Pátria e à Família;
- Submarino: o progresso e o aperfeiçoamento de seus meios;
- Fuzileiro em Continência: a disciplina e a correção da Marinha;
- Dois Marinheiros em Comunicação: a capacidade de cumprir a missão em qualquer circunstância.
- No rebaixo do piso, pavimentado de granito preto da Tijuca, polido, encontram-se gravados os nomes das belonaves nas quais morreram militares com os seguintes dizeres:
NESTES NAVIOS DA MARINHA DE GUERRA PERECERAM OS NOSSOS
MARINHEIROS EM DEFESA DO BRASIL E PELA LIBERDADE DO MUNDO
b. Painel da Marinha Mercante

Tem o seguinte significado, a partir da esquerda:
- Figuras de mulher e criança: homenagem às famílias dos marinheiros falecidos nos torpedeamentos;
- Vila de Pescadores e Peixes: homenagem aos humildes pescadores pela sua bravura no salvamento dos náufragos dos torpedeamentos;
- Grupo Festivo no Cais: a alegria que traz consigo uma Unidade da Marinha Mercante em sua missão de paz;
- Bloco de Carga: a alta missão da Marinha Mercante no desenvolvimento econômico do país;
- Figura de Marinheiro: a segurança e a vigilância da Marinha Mercante no cumprimento de sua missão;
- Grupo de Guindastes: o poderio mercante do País.
- No rebaixo do piso, pavimentado de granito preto da Tijuca, polido, encontram-se gravados os nomes dos navios brasileiros torpedeados e a seguinte inscrição:
-
NAVIOS DA MARINHA MERCANTE, A SERVIÇO DA UNIDADE NACIONAL,
CUJAS TRIPULAÇÕES E PASSAGEIROS MORRERAM ESTOICAMENTE,
VÍTIMAS DA AÇÃO DOS SUBMARINOS INIMIGOS.
Canhões Krupp
Um par de canhões alemães antiaéreos Krupp de 88mm e 55 calibres de comprimento - um dos modelos do famoso "Flak 88"" - ladeiam o monumento. Comprados à Alemanha antes das hostilidades, foram utilizados na defesa da Costa Brasileira, em Fernando de Noronha.
3. Subsolo
Mausoléu
O acesso ao Mausoléu é franquado por uma porta no Patamar, que abre para um hall pavimentado de mármore Perlato lustrado e com as paredes revestidas de granito preto da Tijuca, lustrado. De amplas dimensões, o Mausoléu é pavimentado com arenito de Ouro Preto, com as paredes laterais revestidas em quartzito verde da Bahia e as de topo com granito preto da Tijuca, lustrado, e mármore Floresta, serrado.
Contém três fileiras de colunas de concreto aparente, duas laterais e uma central, que o dividem, no sentido longitudinal, em duas partes distintas. Numa delas estào situados os jazigos, grupados em 11 quadras alternadas de 48 e 36 jazigos, num total de 468. As quadras, divididas em duas fileiras de jazigos por uma floreira de alumínio anodizado em negro, são revestidas de granito preto da Tijuca, lustrado, e as lápides de mármore de Carrara.
Nos treze primeiros jazigos foram sepultados os despojos dos não-identificados, razão pela qual está gravado o seguinte:
"AQUI JAZ UM HERÓI DA FEB, DEUS SABE O SEU NOME"
Os dois jazigos seguintes possuem lápides em branco e são destinados a receber os restos mortais de dois soldados não encontrados até a presente data.
Nas paredes de topo do Mausoléu vê-se, junto à entrada, em painel fotográfico, uma vista do Cemitério de Pistóia e, ao fundo, uma cruz de alumínio anodizado, iluminada, como homenagem aos Capelões Militares. Encontramos ainda um mapa mural em alto relevo, mostrando a atuação da Marinhas de Guerra e Mercante e os locais onde foram torpedeados nossos navios.
Na parede lateral esquerda, encimando o revestimento de quatzito verde da Bahia, estão gravados, em mármore Panamá, os nomes dos mortos da Marinha Mercante, da Marinha de Guerra, do Exército, por torpedeamento e não identificados na Campanha da Itália. A parede direita é vazada para o lago.
4. Cerimônias realizadas regularmente
Rendição Mensal da Guarda
Tem lugar às 10 horas do primeiro domingo de cada mês. Nessa oportunidade, a Força Armada que durante um mês prestou honras militares junto ao Túmulo do Soldado Desconhecido e guardou o recinto do Monumento, mantendo a ordem, a vigilância e a sua segurança, é substituída por outra, num rodízio entre a Marinha, o Exército e a Aeronáutica.
Homenagem ao Soldado Desconhecido
Prestada por instituições e autoridades brasileiras e estrangeiras, em datas estabelecidas ou não, consistindo na colocação de uma palma de flores junto ao Túmulo do Soldado Desconhecido, tem a finalidade de homenagear e manter viva a imagem do herói que, no anonimato, lutou até o sacrifício da própria vida.
Vitórias da FEB
Realizada, normalmente, a cada 21 de fevereiro, aniversário da tomada de Monte Castelo, tem o objetivo de recordar a atuação da Força Expedicionária Brasileira nos campos da Itália.
Dia da Vitória
Anualmente, no dia 8 de maio, é comemorado o aniversário da vitória aliada na Europa, contra os países do Eixo. A solenidade conta, normalmente, com a presença do Presidente da República.
Homenagem aos Mortos da Marinha de Guerra e da Marinha Mercante na II Guerra Mundial
No dia 21 de julho, é reverenciada a memória daqueles que, nas Marinhas de Guerra e Mercante, deram suas vidas pela Pátria durante a II Guerra Mundial.
Vigília da Saudade
No dia 2 de novembro (Dia de Finados), em memória de nossos soldados mortos no cumprimento do dever, é realizada a Vigília da Saudade, obedecendo a um programa estabelecido pela Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB).